Estava uma noite chuvosa, o tempo relampiava e Victória corria pelas ruas frias de Londres com um capuz na cabeça e uma cesta de pães nas mãos, ela acabara de roubar de uma padaria muito conhecida.
Quase fora pega pelo dono, mas por sorte conseguiu fugir a tempo de não ser vista.
Sua face bastante conhecida na cidade despertaria rumores entre as pessoas caso fosse pega.
Afinal era tão divertido roubar pães para dar aos pobres, que ela pouco se importava com o resto. Era para um bem maior.
- Volte aqui sua ladra.- Ele gritava eufórico enquanto ficava para trás.- Eu ainda vou te achar!!!
" Vai nada." - Ela pensava enquanto corria para um beco escuro sem luz alguma.
Era um atalho para chegar mais rápido ao orfanato e dar a comida as crianças necessitadas.
- Vem aqui sua vadia!- Um homem a agarrou antes que conseguisse dar mais algum passo sequer.
- Me largue seu monstro!- Ela se debatia nos braços do homem.
Era um bêbado, ela nunca o tinha visto por ali, era tudo tão tranquilo que jamais imaginara que algo assim lhe aconteceria.
- Me solta!- Ela gritou mais alto ainda, mas se quer adiantou tal ato, afinal não havia nada naquele beco além dela e daquele ser repugnante.
Só havia alguns lixeiros cheios de coisas estragadas e ratos que corriam em baixo da chuva.
- Você será minha sua vagabunda.- Ele diz encostando sua barba perto do pescoço da jovem que se debatia tentando fugir.- Fique quieta.
Ele desfere um tapa no rosto da pobre moça e rasga suas vestes deixando a mostra seu sutiã preto.
Victória começa a chorar, ela não sabe o que fazer, o desespero toma conta do seu corpo, o frio do nervosismo a toma por completo.
Ela tenta erguer seu pé e acertar o meio das pernas do homem, mas é em vão, ela está presa e não tem muito o que fazer.
Ela seria abusada, e não havia nada que poderia ser feito, exceto se lhe acontecesse um milagre.
- Solte ela desgraçado!- Alguém grita alto o suficiente assustando o bêbado.
O homem tenta se mover rápido mas não consegue, ele é apanhado pelo outro que bate na face e dá diversos chutes, deixando- o jogado ao chão enquanto a chuva cai sobre o corpo do mesmo.
- Você está bem garota?- Ele pede lhe estendendo a mão para ajudar a jovem a se levantar.
- Obrigada.- Ela agradece sem jeito.- Agora estou bem.
Sem graça Victória puxa a capa para esconder o tecido de seu sutiã que aparecia.
- O que faz na rua à essas horas?- O homem pergunta curioso analisando o local à sua volta.
- Eu peguei uns pães para levar às crianças do orfanato.- Diz apontando para o chão onde a cesta está caída e os pães estão enlameados.
- Você os pegou?- Ele ergue uma sobrancelha curioso.
- Eu os roubei.- Ela admite sem graça.
- Sou Louis.- Ele lhe estende a mão se apresentando.
- Sou Victória.- Ela diz pegando a mão do mesmo e apertando delicadamente.
Depois de alguns segundos ela se afasta e sente a vergonha esquentar suas bochechas.
Ela admitirá o roubo de pães à um completo estranho, ao qual ela nunca vira antes em sua vida.
Será que ele a denunciaria? Ou pior será que ele não é alguém da polícia?
- É... Acho que vou indo.- Victória vai se afastando lentamente.
- Eu lhe acompanho até sua casa.- Diz cavalheiro.
- Não precisa.- Ela da de ombros.
Ele não pode saber onde ela mora, caso contrário seu pai descobrirá o que ela estava fazendo a essas horas na rua.
- Será um prazer te acompanhar Victória.- Ele sorri ladino, insistindo.
- Tudo bem.- Concorda por fim.
Ambos seguem pela calçada, tentando se esconder da chuva fina que cai.
Louis retira sua jaqueta e coloca em volta dos ombros de Victória ao vê-la tremer de frio.
- Por favor não deixe meu pai te ver, caso contrário ele me mata.- Victória alerta o rapaz ao ver que está próxima a esquina de sua casa.
- Sem problemas.- Concorda com ela.
Ele sabe que a moça que conhecera hoje, esconde segredos, e a voz trêmula ao falar do pai só comprova o quão de medo ela tem do mesmo.
Louis adoraria desvendar cada mistério que a moça ao seu lado esconde, mas isso não será possível já que ele está somente de passagem na cidade.
- Você pode ir, daqui eu sigo sozinha.- Ela diz se virando para ele.- Obrigada Louis por me salvar e me acompanhar até aqui.
- Não tem de quê.- Ele sorri, revelando seus dentes bem alinhados.- Foi um prazer lhe acompanhar.
Victória se aproxima e o abraça, dando um beijo casto em suas bochechas.
- Até Louis, espero que nos encontramos futuramente.
- Até Victória.- Ele abana com a mão.
Victória some de sua visão e ele se volta para a rua sorrindo feito um idiota.
Será que verá a jovem ainda?
São pensamentos que o rodeiam por alguns minutos, antes de ouvir o som de um tiro que o tira de seus desvaneios.
Ele corre em direção ao som, ao perceber que se trata do lugar onde deixou Victória a algum tempo antes.
Ao chegar no local se depara com uma cena triste, a moça bela está caída ao chão com um tiro no peito.
- Victória!!!- Ele tenta reanimar o corpo da moça.
- Eu adorei você Louis.- Ela diz antes de fechar seus olhos e vir a óbito.
- NÃOOO!!!- Ele grita alto enquanto ainda está com o corpo sem vida envolvido em seus braços.
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